Ajustes de áudio ideais para cada gênero musical

Pop, R&B, rap, trap, lo-fi, rock, techno, metal: cada gênero reage de forma diferente à desaceleração e à reverberação. Este guia traz faixas de ajuste precisas por estilo, explica por que funcionam e como adaptá-las à sua música.

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Por que não existe um ajuste universal

Aplicar 0,90× e 15 % de reverb a todas as suas faixas dará resultados muito desiguais. Três características do arquivo de origem determinam sua reação ao tratamento, e variam enormemente de um gênero a outro.

A densidade da mixagem. Uma faixa de metal contém guitarras saturadas ocupando permanentemente todo o registro médio. Acrescentar reverberação a uma mixagem já densa produz confusão. Uma balada de piano, com muito espaço entre os elementos, aceita ao contrário uma reverb generosa.

O andamento de origem. Desacelerar em 12 % uma faixa de 75 BPM a leva a 66 BPM, um andamento que começa a se arrastar. O mesmo tratamento numa faixa de 140 BPM a leva a 123 BPM, ainda perfeitamente dinâmico. A margem não é a mesma.

O equilíbrio espectral. Uma faixa de trap é construída em torno de um 808 que ocupa a parte baixa do espectro. Desacelerá-la baixa essa fundamental, às vezes até frequências que os alto-falantes pequenos já não reproduzem. Uma faixa acústica não tem esse problema.

Tabela de referência

GêneroVelocidadeReverbBass boostPonto de atenção
Pop0,88× – 0,92×14 – 18 %10 – 15 %Voz muito à frente, satura rápido
R&B0,86× – 0,90×16 – 22 %12 – 18 %O gênero mais tolerante
Rap / hip-hop0,88× – 0,93×10 – 15 %15 – 20 %Manter o flow inteligível
Trap0,90× – 0,94×8 – 14 %8 – 12 %808 já muito grave
Lo-fi0,85× – 0,90×18 – 25 %10 – 15 %Suporta ajustes extremos
Rock0,90× – 0,94×8 – 12 %8 – 12 %Os pratos ficam metálicos
Metal0,92× – 0,96×5 – 10 %5 – 8 %Mixagem saturada, margem mínima
Electro / house0,88× – 0,92×12 – 18 %10 – 15 %O bumbo perde impacto
Techno0,90× – 0,94×10 – 16 %8 – 12 %O transe rítmico se perde se muito lento
Balada / acústico0,85× – 0,90×18 – 25 %5 – 10 %Ótimo candidato, pouco risco
Jazz0,90× – 0,94×12 – 18 %5 – 10 %O swing se desnatura abaixo de 0,88×
Clássica0,92× – 0,96×8 – 14 %0 – 5 %Costuma já vir com a própria reverb

Gênero por gênero

Pop

O pop moderno é mixado com a voz muito à frente e compressão forte. Desacelerar evidencia os artefatos dessa compressão: ouve-se a respiração subir entre as frases. Fique em torno de 0,90× e compense com uma reverb média que mascare parcialmente esses defeitos. Se a faixa tiver backing vocals empilhados, sua reverb se soma ao tratamento próprio dessas vozes: baixe alguns pontos em relação ao seu reflexo habitual.

R&B

É o gênero que melhor responde ao Slowed + Reverb, e não por acaso: o parentesco com o chopped and screwed é direto. Os andamentos de base já costumam ser lentos (70 a 100 BPM), as mixagens deixam espaço, e as linhas vocais melismáticas ganham presença ao serem esticadas. Você pode ir até 0,85× e 22 % de reverb sem que o resultado deixe de ser compreensível.

Rap e hip-hop

O ponto crítico é a inteligibilidade do texto. Um flow rápido desacelerado fica mais legível, o que é uma vantagem; mas uma reverb longa demais afoga as consoantes e anula esse ganho. Fique abaixo de 15 % de reverb. Já o bass boost pode ser generoso: as produções de rap suportam bem um reforço de grave, e muitas vezes é isso que dá caráter ao resultado.

Trap

Atenção especial aqui. O 808 de uma faixa de trap costuma situar-se entre 40 e 60 Hz. Desacelerá-lo em 10 % o baixa para 36-54 Hz, uma zona que a maioria dos alto-falantes de celular e fones básicos simplesmente não reproduz. A faixa parecerá vazia nesses aparelhos mesmo soando bem no fone. Fique acima de 0,90× e acrescente pouco bass boost — o problema não é falta de nível, mas o deslocamento em frequência.

Lo-fi

O lo-fi foi feito para esse tipo de tratamento. As mixagens são propositalmente difusas, os graves redondos, os agudos já atenuados. Você pode aplicar ajustes extremos — 0,85× com 25 % de reverb — e obter um resultado coerente. É o gênero ideal para experimentar e entender o que cada parâmetro faz.

Rock e metal

Os gêneros mais difíceis, por duas razões. Primeiro, os pratos: desacelerados, perdem brilho e assumem uma cor metálica desagradável, especialmente audível nos chimbais. Segundo, a saturação das guitarras já ocupa todo o registro médio, de modo que a reverberação não tem onde se colocar e cria uma papa. Seja conservador: 0,92× a 0,96×, reverb abaixo de 10 %. Em metal moderno muito comprimido, o tratamento em geral não traz nada de bom.

Eletrônica

House, techno e electro funcionam bem, com uma ressalva: esses gêneros se apoiam numa regularidade rítmica hipnótica. Desacelerá-los demais quebra esse transe. Uma faixa techno de 130 BPM em 0,88× cai para 114 BPM, ainda dançante. A mesma em 0,80× cai para 104 BPM e perde a função. O bumbo também merece atenção: desacelerado, seu ataque amolece e ele perde impacto.

Jazz e clássica

O jazz coloca um problema específico: o swing se baseia numa relação de durações entre colcheias que dá caráter ao gênero. Uma desaceleração moderada o preserva, mas abaixo de 0,88× a sensação de swing se transforma em simples lentidão. A música clássica é quase sempre gravada num espaço reverberante — sala, igreja — e portanto já traz a própria reverberação. Acrescentar uma segunda cria um empilhamento pouco natural. Fique abaixo de 14 % e trabalhe sobretudo a velocidade.

Método para achar o ajuste certo

Em vez de partir dos números, avance por etapas de escuta.

  1. Primeiro a velocidade, sem nenhum efeito. Encontre o ponto em que a faixa mantém sua intenção tendo mudado de caráter. É o ajuste mais estruturante; todo o resto se adapta a ele.
  2. Depois a reverb, subindo aos poucos. Aumente até a letra começar a ficar difícil de acompanhar, e então volte 3 a 5 pontos. Você está no máximo útil.
  3. O bass boost por último, em pequenos toques. Escute especificamente os refrões, onde a energia é máxima. Se ouvir o grave «soprar» ou saturar, recue.
  4. Confira num alto-falante pequeno. Um ajuste validado apenas no fone quase sempre tem grave demais. A escuta no alto-falante de um celular é o teste mais revelador, porque é assim que a maioria vai ouvir o resultado.

Como corrigir em caso de dúvida

Se falta caráter ao resultado, normalmente não é a reverb que precisa subir, mas a velocidade que precisa baixar um ou dois pontos. Se o resultado está embolado, reduza a reverb antes de mexer em qualquer outra coisa. Se a faixa parece fraca no celular, o problema quase sempre é excesso de energia nas frequências baixas, e não falta de nível geral.

Em todos os casos, compare com o original alternando as duas escutas. O ouvido se acostuma muito rápido a um tratamento e perde capacidade de julgamento depois de poucos minutos. Fazer uma pausa de dez minutos antes de validar uma exportação evita muitas surpresas ruins.